sexta-feira, 30 de março de 2012

Ser mãe é a melhor coisa do mundo!


Ontem fui ao médico de família (estou com uma constipação daquelas!) e, como estou pouco capaz de conduzir, o maridão acompanhou-me, o que quis dizer que a Francisca ficou entregue aos cuidados dos avós (desta vez, paternos). Quando fomos buscá-la, estava na cadeira da papa a acabar o jantar e, quando nos viu, o rosto dela iluminou-se como uma árvore de natal.
Depois dos primeiros sons de entusiasmo, e ter mirado bem os pais, concentrou a sua atenção na minha cara, que estudou ao pormenor, como quem diz “Conheço-te bem, mas é tão bom ver-te, que deixa cá examinar-te cuidadosamente”. Depois, saiu-se com aquele cumprimento, que me derrete como chocolate ao lume: “Olá, meu amor!”. Seguiu-se uma sessão de abraços ternurentos e demorados, daqueles que entrenham pela alma e escorrem pelo corpo, daqueles capazes de curar qualquer maleita... São momentos destes que me fazem lembrar que ser mãe é a melhor coisa do mundo!

Ressalva


É, contudo, importante assinalar que existem idades-limite (também intituladas idades-chave) no desenvolvimento infantil (a idade em que a grande maioria das crianças já atingiu uma determinada etapa – quando isso não acontece, convém que a criança seja observada mais detalhadamente). Daí, a importância das consultas de rotina (consultar boletim de saúde infantil e juvenil). O pediatra Paulo Oom, no livro “O Livro dos Pais”, dá alguns exemplos: sorrir (2 meses), sentar sem apoio (10 meses), andar independente (18 meses), palavras com significado (18 meses), construir frases completas (2 anos e meio).


"Lutas de Galos"


Como pais, temos tendência a gabar os feitos dos nossos filhos e, quando isso acontece, geralmente, surgem as comparações.
Ainda no outro dia, quando saímos à rua com a Francisca, vimos uma avó a ficar muita aflita porque a neta, que já era mais velha do que a Francisca, era mais pequena, não articulava tão bem as palavras, e era mais desengonçada a correr (quando o pai contou, como pai babado que é, que ela já sabia os números e as vogais, a senhora ia tendo uma síncope). Igualmente, inúmeras vezes, especialmente quando a Francisca era mais pequena, vimos os pais a olharem desconfiados para os próprios rebentos, perguntando-se como é que existia uma diferença tão marcada (a Francisca sempre se situou no percentil 95/90 nas medidas peso e comprimento, quando não ultrapassava). E nós, inchados de orgulho, mas compreendendo a aflição dos outros pais, lá explicávamos que não existem duas crianças iguais, e que a Francisca não podia ser encarada como a regra porque, de facto, fugia era à norma (percentil 50).
Quase todos os pais têm aquelas conversas, que mais parecem “lutas de galos”, em que listamos os feitos dos nossos filhos, para, logo a seguir, ouvirmos os feitos dos filhos dos outros e, quando damos pelas horas, passámos quase toda a “reunião” a compararmos as proezas das nossas crianças.
O pediatra Mário Cordeiro no livro “O Grande Livro do Bebé” refere: “Todos nós queremos que os nossos filhos dêem nas vistas. No fundo, todos nós gostamos também de dar nas vistas e de ser o centro das atenções... essa faceta narcisista ficou-nos da infância, é inútil negar, e o nosso ego também precisa de ser estimulado.”
Não sei se passa por dar nas vistas, mas certamente estimula o nosso ego. Até porque reforça que estamos a fazer bem o papel mais importante das nossas vidas: sermos pais.
Dito isto, é importante resguardar que as crianças não são todas iguais, desenvolvem-se a ritmos diferentes e que não devemos ficar muito presos/preocupados com aquilo que os livros e os outros pais dizem que já devia ter acontecido. Há que apreciar cada criança individualmente, celebrar as suas conquistas/capacidades, e aceitar as suas particularidades/limitações. Trata-se, no fundo, de aceitarmos que não somos todos iguais e percebermos que, apesar das diferenças, se o nosso(a) filho(a) for saudável e feliz já vencemos ;).

quinta-feira, 29 de março de 2012

Para quem ainda não sabe...

Quando vou visitar um casal (ou uma mamã) à maternidade ouço, muitas vezes, os pais, ou outras visitas, a dizerem que os recém-nascidos não conseguem ver. Ora, para quem ainda não sabe...
Os recém-nascidos são capazes de ver, nitidamente, à distância de um palmo, cerca de 20 centímetros - a distância que existe, espontaneamente, entre a face da mãe e do bebé, nos momentos em que está a mamar (ou ao colo). Quem disse que a natureza não é sábia!?


Recente aquisição...

... Para a área da biblioteca dedicada à Francisca:
Alguns tópicos:
  • Principais regras sobre o transporte das crianças 
  • Prestação de primeiros socorros 
  • Vacinas obrigatórias e opcionais
  • Principais doenças - Quais é que são contagiosas? Como é que são transmitidas? Como é que devem ser tratadas? Quanto é que a criança pode voltar à escola?
  • Medicamentos
  • Alimentação
  • Saúde Oral
  • Desporto
  • Dificuldades de Aprendizagem
Hoje, já foi consultado. A minha sobrinha está com escarlatina :( e eu queria mais informações sobre a doença, nomeadamente, o período de incubação e transmissão da doença.

terça-feira, 27 de março de 2012

A chegada de um irmão...

Ultimamente, tenho reparado que os pais ficam muito ansiosos com a chegada de um novo elemento à família, mais concretamente, com a reacção do irmão mais velho. Acho que é uma consequência da informação com que somos bombardeados, e que, embora seja muito positiva, por vezes, deixa-nos neuróticos e ansiosos. Para ser absolutamente sincera, não percebo muito bem esta preocupação exagerada. Pelo que sei, a chegada de um irmão sempre foi um motivo de celebração e, se é certo que há desafios a navegar, também é certo que eles são navegáveis, transponíveis.
O que fazer, então, para ajudar a criança que já cá estava, e que agora vai ter de partilhar o seu espaço (físico e emocional)?
  • Em primeiro lugar, não lhe diga que vem aí um mano, e que este, vai ser um óptimo companheiro de brincadeiras! Em vez disso, diga-lhe que vem aí um bebé, e que os bebés choram, comem, e dormem muito! (se puder, possibilite-lhe o contacto com outros bebés, para que este se possa ir apercebendo o que é, afinal, um bebé; se isto não for possível, crie situações de role-playing, leia-lhe livros, ou mostre-lhe fotografias e vídeos - estas fotografias e vídeos podem ser da própria criança, quando era bebé).
  • Clarifique que o bebé vai necessitar de muito tempo/atenção dos pais, mas que ele pode ajudar. E este ajudar pode começar já. Não é preciso esperar pelo nascimento para envolver a criança no processo! Quando for fazer uma ecografia, pode levá-lo; quando fizer a mala para a maternidade, pode solicitar a sua ajuda (pode dar-lhe a oportunidade de escolher a primeira roupa do bebé, por exemplo); quando o bebé der um pontapé, deixe-o senti-lo; envolva-o na escolha do nome (esta última sugestão implica que possua mais que uma opção, e que qualquer escolha seja bem-vinda).
  • Explique-lhe que, quando o bebé nascer, a mãe e o pai vão passar um tempo fora de casa, mas que já combinaram onde ele vai ficar (se possível, escolha um sítio onde a criança se sinta confortável, e onde já tenha passado algumas noites). Esclareça que esta ausência é temporária, que estarão de volta pouco tempo depois (é melhor não se comprometer com uma data, mas, se a criança insistir, pode dizer-lhe que, em princípio, serão poucos dias). 
  • Assegure-lhe que vai ser-lhe possível ter contacto com os pais durante este período, seja este telefónico (para lhe explicar o que se está a passar), ou pessoal (visita).
  • Quando esta visita acontecer, certifique-se que lhe dá toda a atenção possível. 
  • Certifique-se que a sua família e amigos também são sensíveis a esta questão, encorajando-os a prestarem uma atenção especial à criança mais velha. A respeito, amiúde, vejo as visitas a irem direito ao bebé e a ignorarem a criança mais velha, que, outrora, era o foco das suas atenções. Ora, o bebé não vai sentir-se relegado para segundo plano se a visita se dirigir primeiro ao irmão mais velho, mas o irmão mais velho certamente sentirá a diferença de tratamento.
  • Hoje em dia, está na moda comprar uma prenda da parte do bebé, e vejo quase todos os pediatras a sugeri-lo. Nada contra, embora eu considere que o irmão já seja uma prenda e tanto ;).
  • Preferencialmente, não faça coincidir o nascimento com outras mudanças significativas, como mudar de casa, de quarto, ou de cama (alguns pais esperam o bebé nascer para mudar a criança do berço para a cama). Se estas mudanças forem necessárias, faça-as uns meses antes do bebé nascer.
  • Quando o bebé for para casa, reserve tempo de qualidade, a dois, ou a três (pai/mãe, ou pai e mãe) com a criança mais velha.
  • Envolva-o nas tarefas, deixe-o interagir com o bebé - estas interacções devem ser vigiadas, não sufocadas (os bebés são frágeis, mas não tanto quanto parecem). Festinhas, colinho, e abraços são manifestações bem-vindas (sempre supervisionadas, claro).
  • Seja paciente e compreensivo – nem todas as crianças reagem positivamente à chegada de um irmão. Podem existir sentimentos de inveja, rancor, ou mesmo raiva. Caso isto aconteça, tranquilize-o, assegure-lhe que a chegada de um novo membro à família, não significa que o amor dos pais por ele diminuiu, e ajude-o a expressar as suas emoções, verbalizando-as quando ele não for capaz. Respeite o seu tempo para se adaptar a esta enorme, mas bem-vinda, mudança (o que não significa, evidentemente, aceitar comportamentos agressivos).
  • Igualmente importante, muitas crianças apresentam comportamentos regressivos (voltam a comportar-se como bebés). Caso isto aconteça, não tente forçar a criança a abandonar os comportamentos em questão, em vez disso, relembre-o das vantagens de ser crescido. Com o tempo, os comportamentos têm tendência a cessar.
Acima de tudo, muito amor, carinho e paciência! E, já agora, muita festa, que a chegada de um novo membro à família deve ser um motivo de celebração.

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sexta-feira, 23 de março de 2012

Agora que chegou a Primavera...

...Os passeios ao ar livre começam a chamar por nós, mas onde ir com os nossos piolhos? Encontrei este site, que se chama Lisboa Verde, e lista todos os espaços verdes que a nossa bela cidade tem para oferecer, carregando numa qualquer opção podemos aceder a toda a informação sobre o espaço (localização, horários, equipamentos, acessibilidades), assim como a fotografias do local. Bons passeios...
http://lisboaverde.cm-lisboa.pt/index.php?id=4446

Sou uma mãe tão babada!

A minha piolha é tão inteligente! Tem 23 meses e já sabe identificar as vogais numa palavra, contar e identificar os números até ao número 10 (entre outras coisas, claro). Ontem fomos lanchar e, quando estávamos a pagar, viu um relógio analógico e lá começou ela a apontar e a dizer 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9... O senhor que estava na caixa nem queria acreditar. No outro dia, foi passear ao parque com os avós, viu um MUPI e começou a identificar as vogais e os números e “parou o trânsito”. Hoje, entrou no elevador e disse: “Xau, mamã. Pai, menos dois (piso da garagem).”
Todos os dias a fazer cair queixos, todos os dias a babar o meu!

quarta-feira, 21 de março de 2012

Infantário e outras opções...


Quando a Francisca fez seis meses, apesar de saber que não era minha intenção colocá-la antes de um ano de idade no infantário, comecei a pesar as minhas opções.
Percebi que, em breve, ela ganharia mobilidade e o meu trabalho de “stay at home mommy” ia ficar mais complicado, compreendi que trabalhar numa dissertação com uma criança e uma casa aos nossos cuidados era empreitada mais trabalhosa do que havia previsto, acima de tudo, pressenti que as suas necessidades de interacção com outras crianças iam aumentar, e que ela necessitaria de estímulos que a opção “continuar em casa com a mãe”, na minha opinião, ia deixar de satisfazer inteiramente. Também devo confessar que comecei a sentir necessidade do meu espaço, aparte do dela, até porque o meu marido trabalha numa consultora e os horários dele sempre foram complicados e imprevisíveis.
Havia chegado a altura de pesar as minhas opções e enfrentar o fantasma da separação... Confesso que não foi nada fácil! A ideia de me separar dela, quando ia continuar em casa, embora estivesse a trabalhar na dissertação (cujos prazos começavam a tornar-se dolorosamente reais), pesava-me na consciência (a maldita culpa), mas, com uma boa dose de diálogo, interno e externo, apercebi-me que seria melhor, para ambas, lidarmos com o inevitável: a separação. Coloquei três hipóteses:
1) Deixá-la aos cuidados da empregada - ainda tentei, mas não conseguia relaxar o suficiente quando estava fora de casa (a pessoa em causa não me inspirava confiança suficiente e, passada uma semana, começou a pedir-me 1h30 de almoço, o que, a longo prazo, ia tornar-se impraticável; ademais, estava a assistir a casos na família, e fora dela, em que a pessoa que estava a tomar conta da criança, pura e simplesmente, mudava de emprego, sem apelo nem agravo, e achei que isso teria consequências desastrosas).
2) Deixá-la aos cuidados de familiares - contudo, os meus pais trabalham e os meus sogros (que são socialmente mais activos do que eu e o meu marido, juntos) não se quiseram comprometer a ficar com ela todos os dias, durante as horas normais de um infantário (das 9h às 17h); ademais, a questão da interacção com outras crianças, e a necessidade de outros estímulos (nomeadamente, aulas de locomoção e de expressão musical com pessoas especializadas), mantinha-se.
3) Ir para um infantário - acabou por ser a opção que me pareceu mais adequada.
Face a esta decisão, arregacei as mangas e fiz uma pesquisa, exaustiva, dos infantários da minha área de residência e arredores. Munida, como a típica “control freak” que sou, do meu questionário, que consistia nas seguintes questões:
- O limite de bebés, por sala, é respeitado?
- Qual é a rotina dos bebés da idade da Francisca, e como é que ela se altera conforme a idade?
- Existe uma auxiliar e uma educadora por sala (ou duas auxiliares, no caso do berçário)? Isto é, o número de funcionários por criança é respeitado?
- O pessoal está sempre a rodar, ou existe a preocupação em manter alguma consistência/estabilidade?
- Habilitações e experiência profissional do pessoal?
- Há uma enfermeira, ou alguém na creche que saiba prestar primeiros socorros, caso seja necessário?
- Os bebés mais crescidos têm acesso à Francisca? Quando e em que situações? Estas interacções são supervisionadas? Se sim, por quem?
- Existem espaços ao ar livre? Se sim, quando é que a Francisca tem acesso aos mesmos e com quem?
- Há uma copa separada para o berçário?
- Outros itens: higiene (chão, sapatos, brinquedos, fraldário e casas de banho, refeitório); iluminação; ruído; segurança; estacionamento; cópia dos regulamentos; projecto educativo.
- Reacção à Francisca (Pararam para falar com ela? Teceram-lhe elogios e deram-lhe miminhos?).
- Reacção aos pais (Sentimo-nos acolhidos, compreendidos, ou despachados?).
- Cuidado e disposição das crianças do infantário em causa.
- Condições de pagamentos e gastos adicionais (mensalidade, prolongamento, e outros custos, tais como fraldas, toalhitas, alimentação).
- Posso visitar a Francisca quando quiser? Tenho liberdade para vir buscá-la na hora que me for mais conveniente?
- Tenho referências da creche em questão (pessoas conhecidas que já lá tenham os bebés e que estejam satisfeitas com os cuidados prestados)?
Depois de muita pesquisa, muitas desilusões, e alguns choques (visitei infantários em que os bebés eram deixados horas seguidas nas espreguiçadeiras, muitas delas eléctricas), lá encontrei uma creche à nossa medida, com a qual continuo encantada. Acabou por ser a qualidade do pessoal e das relações humanas que me conquistou, e não o espaço físico (embora as condições de segurança e higiene sejam religiosamente cumpridas, não possui, por exemplo, espaço exterior). Foi a forma como fomos recebidos e acarinhados que me conquistou, além da organização (afixação da ementa semanal e das actividades semanais, presença de uma rotina fixa para as crianças, possibilidade de fazer uma iniciação gradual, flexível, em que a minha presença, mais do que tolerada, foi bem-vinda). Com o tempo, a preocupação diminuiu, a ansiedade dissipou-se, e, eu fui vendo a minha piolha desabrochar, cada vez mais, na interacção com o pessoal e os amigos, que ela tanto adora. Hoje em dia, pergunta pela escola e pelos amigos quando se ausenta, é uma criança segura de si, confiante, que aprendeu a estar separada dos pais e eu não podia estar mais contente por ter tomado aquela decisão que me foi tão penosa...

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segunda-feira, 19 de março de 2012

Para o meu pai...

É preciso crescer para perceber que os adultos não são perfeitos, que o mundo não é preto e branco, que o cinzento não é apenas deprimente… ele também abre um mundo de novas possibilidades, novas realidades. Os nossos pais, quando nós crescemos, deixam de ser gigantes e passam a ser humanos, mas isso não diminuiu o seu valor e o nosso amor, certamente não diminuiu o meu. 
Hoje, vejo-te melhor. Sei que não és gigante, mas, enquanto crescia, criaste um mundo cheio de fadas, princesas, reis, rainhas, dragões e outras criaturas mágicas onde fui buscar inspiração para ousar imaginar, criaste um mundo de carros e barcos na areia, que me permitiram sonhar viajar sem sair do lugar… Foste tu que criaste a possibilidade de eu encontrar a minha paixão: a escrita! Obrigada por, de vez em quando, me teres feito sentir um gigante aos teus olhos… Obrigada por teres sido gigante aos meus... FELIZ DIA DO PAI! 

sexta-feira, 16 de março de 2012

Dicas para uma noite de sono descansada...


  • Antes de mais, é essencial que exista uma rotina, que permita à criança prever, com um determinado grau de precisão (vão existir, obviamente, situações de excepção), o que vai acontecer a seguir, o que contribui para aumentar a sua sensação de segurança e, consequentemente, a sua autoconfiança, essencial na hora de dormir – a partir dos 18 meses, a criança deve ir para a cama entre as nove e as dez horas, o que permite que ela brinque com os pais, mas obtenha o descanso que precisa (a hora do deitar deve ser coordenada com a hora do acordar, assegurando que a criança dorme o número de horas de que necessita – consultar os posts: “O que esperar, de acordo com a idade, em termos de sono” e “Porque é que dormir é tão importante?”).
  • Prepare o quarto – desligue as luzes, se necessário, aqueça ou arrefeça o quarto, abra a cama, tenha à mão o que for necessitar (fralda, peluche, biberão...).
  • Cerca de 30 minutos antes da hora do deitar, escolha uma atividade mais calma e confortante (por cá, lemos uma história, ou vemos um episódio do Uki – no final do episódio, ele vai fazer ó-ó e a Francisca fica mais receptiva à ideia). De notar, que a maioria dos pediatras é contra a ideia de ver televisão antes de ir para a cama, mas, como sabemos, não existem duas crianças iguais. Trata-se de encontrar o que resulta para si e a sua família. Pessoalmente, sou a favor de tornar o ritual de ir para a cama apelativo, fazendo atividades com a criança que sejam do seu agrado, desde que não sejam, obviamente, muito energéticas/frenéticas, porque vão excitar a criança.
  • Avise a criança com antecedência que chegou a hora de ir para a cama, dando-lhe tempo para se habituar à ideia (por aqui, avisamos a piolha cerca de quinze minutos antes que está quase na hora de ir fazer ó-ó, e voltamos a fazê-lo quando chegou a hora, afirmando: “Francisca, agora, vamos fazer chichi, lavar os dentes, e fazer ó-ó. Esta frase faz de tal forma parte da sua rotina, que ela, por si própria, já a diz com os pais).
  • Tenha rituais que antecedem a hora de deitar (por cá, fazemos a higiene - vamos à sanita fazer chichi, lavamos os dentes, limpamos a cara e as mãos, mudamos a fralda, deitamo-la e damos-lhe a fralda ou o boneco com que ela quer dormir (por enquanto, ela ainda pede o chá – que foi muito útil quando quisemos que ela parasse de beber o biberão de leite da noite –, mas essa é uma parte do ritual que estamos a tentar abolir, já que temos o objectivo de largar as fraldas e porque, de uma forma geral, ela só quer o chá na cama, depois de ter lavado os dentes, o que, em termos de higiene oral, não é nada conveniente).
  • Quando deitar a criança, despeça-se dela, utilizando, preferencialmente, a mesma frase/gestos (as crianças encontram conforto na repetição porque, como já avancei, permite-lhes prever o que sucede, aumentando a sua sensação de segurança – Mário Cordeiro, no livro "Dormir Tranquilo", refere que “Só se dorme ou adormece quando se está seguro”.
  • Depois de se despedir, tente sair rapidamente do quarto, não prolongando, sem necessidade, as despedidas.
  • Se a criança não quiser que saia do quarto, e começar a chorar, pode confortá-la. A Francisca, por exemplo, às vezes, precisa de segurar a mão da mãe ou do pai por uns minutos antes de adormecer. E, até tarde, não vou mentir, precisou de colo. Pessoalmente, não sou a favor de se deixar as crianças a chorar. É verdade que, muito provavelmente, com o tempo vão cansar-se (se não vomitarem, no entretanto), mas as crianças precisam sentir-se seguras, e parte integrante disso é saberem que podem contar com os pais, que eles estarão presentes quando elas precisarem deles. 
  • Evite responder aos seus chamamentos – antes de ir a correr consolar a criança, espere um pouco, veja se os chamamentos evoluem para o choro ou mesmo o grito (nesse caso, pode correr), ou se a criança consegue, sozinha e aos poucos, acalmar-se e adormecer. Por experiência própria, a tendência é que os seus chamamentos diminuam e acabem por cessar.
  • Seja consistente e persistente – alterar, de forma sistemática, as rotinas deixa a criança a sentir-se confusa, e agitada, o que vai tornar o adormecer mais complicado.
  • Se o seu filho fugir da cama (o que, segundo a minha mãe, era um comportamento que eu repetia com frequência), volte a colocá-lo na cama, de forma calma – não vale a pena gritar! se tiver um tom de voz assertivo (e não agressivo), a criança vai perceber a mensagem.
  • Combine uma estratégia com o seu parceiro – se estiverem "em páginas diferentes", o mais provável é que a criança se aperceba, utilizando-o a seu favor.
  • Faça uso de um objecto reconfortante para a criança, pode ser uma fralda, um peluche...
Algumas notas importantes: O pediatra Mário Cordeiro, nos livros “O Grande Livro do Bebé” e “Dormir Tranquilo”, chama a atenção para os seguintes factos: nos bebés mais pequenos, a primeira fase de sono (sono leve) dura cerca de vinte minutos, pelo que o tempo que se despende a adormecer um bebé acaba por ser maior; “a fase de sono pesado dura cerca de uma hora”, pelo que, se o bebé reentrou na fase de sono leve, poderá acordar facilmente (estímulos e incómodos), voltando a ser necessário adormecê-lo. Igualmente, como o próprio retrata, “os bebés passam, de quando em quando, pelos chamados pontos de referência – são os momentos em que o desenvolvimento se acelera num determinado campo, como a locomoção, a fala, seja o que for, ficando perturbadas outras funções, como a alimentação ou o sono.” Acima de tudo, é preciso ter calma, porque a maioria das crianças, mais cedo ou mais tarde, dá o merecido descanso aos pais. Utilize a sua intuição e bom-senso. Sei o quanto pode ser difícil (também tive a minha dose de noites sem dormir e sonos interrompidos), mas é essencial lembrarmo-nos que estamos a lidar com bebés/crianças. Muitas vezes, tive de “passar o bastão” ao pai, à avó, ou, pura e simplesmente, retirar-me da situação e respirar fundo, mas, tentei (quase sempre com sucesso) que a minha frustração não passasse para a Francisca e acho que isso é peça-chave para que o puzzle se componha ;). 


Sou fofinha e sei-o!


A meio do banho, vai abraçando o pai, enquanto diz: “Oh... Fofinha, fofinha.”

Momentos de ternura


A minha princesa tem um novo cumprimento para a mamã: “Olá, meu amor!” Alcancem a pá para apanhar-me do chão, porque eu derreti-me...

quinta-feira, 15 de março de 2012

Porque é que dormir é tão importante?


O pediatra Mário Cordeiro, refere no livro “Dormir Tranquilo” que, “para lá da intensa atividade cerebral, seja através de sonhos, seja o arrumar da informação e dos estímulos recebidos durante a vigília, há uma enorme atividade hormonal, fundamental nas crianças, desde a secreção da hormona de crescimento, a de cortisol, ou prolactina, entre outras, até ao desenvolvimento da imunidade.”  Parece que existe verdade no ditado “A dormir é que se cresce.”
Acresce que, do ponto de vista psicológico, o período de sono desempenha um papel fundamental - de uma forma geral, é durante a noite que a criança começa a ensaiar o ficar sozinha, e este “saber-se estar sozinho”, com os nossos fantasmas e receios, é fundamental na construção da nossa autoconfiança e autoestima, essenciais para enfrentar o mundo de forma independente e saudável.


Livros referenciados no último post...

... E que aconselho vivamente!



O que esperar, de acordo com a idade, em termos de sono

É expectável, nos primeiros tempos, dormir pouco (lamento, mas é verdade), já que os recém-nascidos têm períodos de sono curtos. Contudo, com o passar do tempo, e conforme a sensibilidade da criança ao dia e à noite aumenta, espera-se que esta faça períodos de sono mais longos à noite (há luz ao fundo do túnel!), permanecendo mais tempo acordada durante o dia.
Alguns pontos de referência:
De acordo com o pediatra Mário Cordeiro, no livro “Dormir Tranquilo”:
Recém-nascidos: “entre 16 e 20 horas, divididas de uma forma semelhante entre o dia e a noite”; à noite, caso o bebé seja de termo e tenha um peso normal, pode dormir 6 horas seguidas, embora a regra seja acordar de 3 em 3 horas. 
Dos 3 aos 6 meses: 3 meses – à noite, intervalos de 5 ou 6 horas; a criança passa mais tempo acordada durante o dia do que durante a noite (as sestas podem ser ainda muito inconstantes); 4 meses – à noite, a maioria dos bebés faz 6 a 7 horas seguidas (podem dormir 8 horas sem se alimentarem), dormindo um total de 10/11 horas à noite, acordando 1 a 2 vezes; durante o dia, dormem 4 a 5 horas, repartidas por 2 sestas.
6 meses: “a maioria das crianças, dorme uma média de 15 horas, com uma divisão muito clara entre o dia e a noite”.
Dos 9 aos 12 meses: à noite, o sono está mais regular; durante o dia, dorme duas sestas.
Após o 1º ano: a maioria, dorme a noite inteira; a média é cerca de 14 horas por dia, entre a noite e as sestas. (É a idade em que surgem os medos, os pesadelos e os terrores noturnos – assunto que irei abordar posteriormente).
Entre os 3 e os 6 anos: “as crianças dormem uma média de 10 a 12 horas por dia, com ou sem sesta”; (os pesadelos e os terrores noturnos ainda podem estar presentes).
Entre os 6 e os 9 anos: cerca de 10 horas, “por vezes mais, porque a carga de estímulos e informação recebida durante o dia é muita”.
10-12 anos: cerca de 9 horas.
O pediatra Paulo Oom, no livro “O Livro dos Pais”, também avança com um quadro referencial:
Idade
Horas de sono durante a noite
Horas de sono durante o dia
1 semana
10
8
1 mês
9
7
1 ano
11
3
3 anos
11
1
6 anos
11
-
12 anos
9
-
(Número de horas típicas de sono, de acordo com a idade.)

É importante relembrar que não existem duas crianças iguais e que, portanto, os valores apresentados podem não servir como uma luva ao seu filho, o que não é motivo para preocupações.  

Mas, e o que fazer quando eles não querem, ou não conseguem, dormir?
Brevemente, vou deixar algumas dicas para noites de sono descansadas ;). Entretanto, podem deixar-me as vossas dúvidas. Procurarei ser célere nas respostas.

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